O dilema do diploma de jornalista

Mazáaa! O dilema do diploma de jornalista: você é a favor ou contra?


Para quem pensa em cursar ou já está cursando jornalismo, quando o assunto é diploma, sempre surge uma inquietação. Aos que querem seguir a carreira, é bom saber que o diploma de formação universitária não é exigido. Nesse contexto, há quem seja a favor e quem seja contra a situação atual. Em meio ao debate estão pautas como a liberdade de expressão, a responsabilidade ética, as condições de trabalho e a remuneração profissional, que são os pontos mais discutidos em eventos e congressos da área.

Em 2009, o Supremo Tribunal Federal (STF) revogou o Decreto-Lei 972/1969, que exigia a formação de nível superior específica para a prática do jornalismo. A explicação para a decisão é que a exigência do diploma vai contra a liberdade de expressão, pois restringe a apenas uma classe da sociedade o espaço de opinião e informação compartilhado. Outro argumento utilizado é que há grandes contribuições ao jornalismo por parte de pessoas que não são formadas.

Enquanto isso, a classe jornalística continua lutando para ter o diploma reconhecido. Além de reivindicar por salários mais justos e condizentes com a categoria, a revogação do decreto implicou na diminuição de pesquisas e de cursos de pós-graduação e especialização na área.

Para Paulo Pimenta, Deputado Federal gaúcho, formado em jornalismo, autor de um dos projetos de emenda constitucional que pedia a volta do diploma, a decisão do STF não aumentou as oportunidades para que novos veículos de comunicação se desenvolvessem no ambiente atual. “A imprensa não reduziu seu monopólio. O que aconteceu foi a precarização da formação dos profissionais e das relações de trabalho, muitas vezes com efeitos práticos na questão salarial”, afirmou Pimenta, em entrevista para a página oficial da Câmara de Deputados, em 2015.

Assim, é necessária cautela ao analisar o assunto, pois os dois pontos de vista possuem suas autenticidades. O que vale ressaltar é que a formação universitária de um jornalista lhe dá instrumentos fundamentais para o exercício da profissão. É preciso entender o jornalista formado como um profissional que foi instigado a pensar ética e tecnicamente o jornalismo, entendendo as teorias relacionadas à atividade e conceitos históricos da profissão. Isso não garante, porém, a formação de um profissional que cumpra seu papel ético, democrático e social imprescindível ao jornalismo.

Por fim, o debate sobre o tema é importante e necessário, dadas as suas implicações. A tendência é que a discussão seja longa e desgastante, mas que não podemos deixa-la de lado. O que cabe a nós, atuais e futuros jornalistas, é trabalhar com integridade e lutarmos para fortalecer a nossa área de conhecimento e pesquisa. Afinal, nos dias atuais, quem mais se importa (e se presta) em correr atrás da informação para apurá-la e questioná-la, para então compartilhá-la com o outro além de nós?




Colunista Colaborativo do Mazáaa!