Redes Sociais e Relações Públicas

Polianne Espindola, Ana Carvalho e Karla Cardoso. Foto: Divulgação ABRP RS/SC.

Se existe um assunto que não pode ficar de fora em eventos ligados à Comunicação, esse assunto é “redes sociais”. E ele foi apresentado no 2º painel do Congresso ABRP RS/SC: Novos Rumos do Mercado de Relações Públicas, pelas palestrantes Polianne Espindola e Karla Cardoso. A mediação do painel ficou por conta da relações-públicas Ana Carvalho, integrante do blog “Fala Mais, RP!”, de Porto Alegre (RS).

Leia a cobertura completa do 1º painel: Novos Rumos do Mercado de Relações Públicas.
Leia a cobertura completa do 3º painel: Mercado gaúcho para comunicação

Visão do Mercado


Karla Cardoso, diretora de Relações Públicas da ABRP SP, foi chamada ao palco para expressar sua visão de mercado, e chegou logo avisando que os colegas de área precisam, sim, aprender a gostar de números, pesquisa e estatística. Não só gostar como compreendê-los muito bem. Principalmente, aqueles que pretendem se especializar em atividades do meio digital, pois, segundo ela, o grande diferencial de atuação nesse segmento está em conseguir transformar dados em informação estratégica. E a falta desse modelo de assessoria digital profissionalizada, faz com que muitas organizações criem perfis em diversas mídias sociais ao mesmo tempo, sem noção alguma sobre qual canal lhes concede maior relevância.

“Falar para todos, é falar para ninguém. Quantidade não é sinônimo de sucesso. Números podem ser ‘comprados’ e nem sempre refletem a realidade da interação com esses públicos. É preciso mensurar também a qualidade daquilo que as pessoas comentam sobre a marca, se é positivo, negativo ou indiferente.”

Em seguida, Karla mencionou o “case” do Bis no Facebook e a atitude do “social media” da organização ao responder as provocações dos seguidores da página. A postagem que trazia o enunciado: “Quer saber um lugar seguro pra você comer seu Bis Xtra?”, e respondia: “Embaixo da ceia de natal”, era representada por uma imagem montada (e isso era muito nítido), em que um garoto aparecia debaixo de uma mesa, comendo sua barra de Bis‬ Xtra, e atrás dele, somente apareciam as pernas das pessoas que supostamente estariam sentadas à mesa. Em resposta ao “post”, alguns seguidores começaram a criticar a imagem e apontar erros de composição gráfica. E o posicionamento “da marca” (na realidade, do administrador da página) foi de responder às críticas com sátiras, postando novas composições da mesma imagem e relacionando elas com as críticas dos seguidores. Com este exemplo, a relações-públicas concluiu que a marca tem seu público muito bem definido. Portanto, trabalha suas campanhas com essa veia de humor, que parece funcionar bem.

“Seja real. Seja verdadeiro. Esteja disponível. Dê espaço para o público falar e se manifestar. Mas saiba responder.”

Karla complementou essa reflexão com a famosa frase de Warren Buffett*: “São necessários 20 anos para construir uma reputação e apenas cinco minutos para destruí-la”.

RP Karla Cardoso
RP Karla Cardoso. Foto: Divulgação ABRP RS/SC

Ao retomar a pauta sobre o uso de dados para tomada de decisão, a palestrante apresentou informações da pesquisa “Inteligência em gestão de riscos e antecipação a crises”, promovida pela Deloitte**, em parceria com o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. Segundo a pesquisa, os tipos de risco mais gerenciados pelas organizações entrevistadas, levando em consideração a área de abordagem, são:

Na questão Stakeholders:

58% responderam gerenciar crises de “Reputação e imagem”.

Financeiro e mercado:

68% responderam gerenciar crises de “Fluxo de caixa”.

Gestão operacional:

64% responderam gerenciar crises “Trabalhistas”.

Estratégia e contexto externo:

55% responderam gerenciar crises de meio “ambiental”.

Para a pergunta “Qual a relevância do tema para a administração?”, no quesito “Reputação e imagem”, 62% dos entrevistados responderam ser de alta relevância. 27%, como média e apenas 11% consideram de baixa.


Baixe a pesquisa completa aqui.


Por fim, a dica deixada pela RP foi: “Saia na frente. As melhores oportunidades são para quem se adapta melhor às mudanças nestes tempos de relacionamentos líquidos”. E listou algumas ferramentas úteis para pesquisa no meio digital como “Desk Research”, Etnografia Digital, “Focus Group”, “Consumer Panel”, Perfilamento Psicográfico, “Shopper Insights” e funil de compras.

Visão da Academia


A Profª. Drª. Polianne Espindola, da Unisinos, optou por desenhar a relação da aplicabilidade das teorias sobre Relações Públicas com as possíveis atividades a serem desempenhadas pelos RPs através das “redes sociais”. Segundo a apresentação da Doutora, essas plataformas detêm a atenção dos usuários, que possuem interesses diversos, como: participação, colaboração, “network” e/ou conhecimento. Neste contexto, o relações-públicas pode interagir, analisando o individuo e amarrando um compromisso da marca para com este, e assim, conseguir o seu engajamento. Aí, se identifica as oportunidades para a gestão de conteúdo, gestão de imagem e gestão de reputação. Sendo que, além desses trabalhos, o profissional poderá praticar a sondagem de mercado e analisar os concorrentes da marca/cliente.

Polianne Espindola, UNISINOS
Profª. Drª. Polianne Espindola. Foto: Divulgação ABRP RS/SC.

Polianne afirmou a necessidade de dominar os conceitos e funções da área para que se possa compreender melhor os fenômenos que acontecem, inclusive, nas plataformas digitais. Mencionou a Função Estratégica, vista em Grunig. A Função Mediadora, vista em Andrade. Administrativa, em Kunsh. E Política (de Conflito), em Simões. Todas, funções convergentes que auxiliam na formulação de estratégias de ação, tanto no meio “off” quanto no “online”.

Das vantagens oferecidas pelo meio "online", a professora pontua a geolocalização, a atualização frequente, a mobilização de grupos, o relacionamento, a mobilidade, entre outros. Características que permitem identificar os públicos que transitam nesse meio, sejam eles parte da “Inteligência Coletiva”, da “Cultura de Fãs”, da “Cultura do ‘self’” (do eu mesmo) ou dos possíveis “Interagentes” do meio digital.

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*Warren Buffett, investidor e filantropo americano que ocupou o primeiro lugar na lista das pessoas mais ricas do mundo em 2008.

**Deloitte é a marca para a qual milhares de organizações independentes em todo o mundo trabalham em colaboração a fim de entregar serviços de Auditoria, Consultoria, Assessoria Financeira, Gestão de Riscos, Consultoria Tributária e serviços relacionados, a uma seleta carteira de clientes. Essas organizações são membros da Deloitte Touche Tohmatsu Limited, uma sociedade privada, de responsabilidade limitada, estabelecida no Reino Unido (“DTTL”).

Apresentação de slides








Carlos Alberto Müller, relações-públicas

Carlos Alberto Müller
Idealizador do projeto MAZÁAA!
Estudante de Comunicação Social – Relações Públicas – na UCS. Analista de Marketing na empresa NTC Moldes e Plásticos. Natural de Caxias do Sul.