Mercado gaúcho para Relações Públicas e Comunicação

Laura Glüer, Rafael Guerra

O 3º e último painel do Congresso ABRP RS/SC teve início logo após a realização das oficinas* oferecidas no evento e ficou marcado pela temática “O Mercado Gaúcho para Comunicação”. Mediado pela relações-públicas Fernanda Hack, fundadora do Blog Fantástico Mundo RP, o painel contou com a apresentação de convidados como a Profª. Drª. Laura Glüer, da UniRitter, e o Rafael Guerra, gerente de eventos do Grupo RBS, ambos com o desafio de retratar o perfil do profissional de Relações Públicas demandado pelo mercado na atualidade.

Leia a cobertura completa do 1º painel: Novos rumos do mercado das Relações PúblicasLeia a cobertura completa do 2º painel: Redes Sociais e Relações Públicas

Pesquisa de Mapeamento das Agências de Comunicação Corporativa no RS: características, mercado, atuação e profissionais


A Profª. Laura Glüer trouxe para o painel os resultados preliminares apontados pela Pesquisa de Mapeamento das Agências de Comunicação no RS, organizada pela própria professora em uma parceria entre a UniRitter e a Associação Brasileira das Agências de Comunicação (ABRACOM). A pesquisa, que se encerra no dia 22 de dezembro, segue no intuito de identificar o perfil e as necessidades das agências de comunicação corporativa do estado, através da aplicação de questionário eletrônico e entrevistas presenciais com grupos focais, além do levantamento de documentos da área e pesquisa bibliográfica sobre o tema.

Laura Glüer, Professora e Doutra da UniRitter
Laura Glüer (E) e colega de mercado (D). Foto: Divulgação ABRP RS/SC.

Segundo dados da ABRACOM, hoje, existem cerca de 70 agências ativas no Rio Grande do Sul, e o mercado continua crescendo. Fora esse universo, é importante lembrar que muitas empresas de assessoria se proclamam agências de comunicação, mas com foco e serviços bem diferentes desse ramo de atividade.

Das agências entrevistadas, verificou-se que a maioria não possui plano de negócio elaborado. Trata-se de empresas com estruturas enxutas, tanto em corpo funcional quanto em faturamento. A contratação acontece por “job” ou “fee” mensal, enquanto a maior parte dos clientes estão localizados no próprio Rio Grande do Sul. Na lista dos principais serviços prestados, encontra-se a assessoria de imprensa, produção de conteúdo para meios impressos e digitais, gestão de sites e portais, treinamentos do tipo “media trainning” e comunicação em geral, gestão de mídias sociais e comunicação interna.

Outra informação importante ressaltada pela pesquisa, é a de que os profissionais de relações-públicas e jornalismo são os mais procurados para atuar em atividades de comunicação corporativa. E na percepção dos entrevistados, essa demanda estaria ligada às necessidades organizacionais nas áreas de relacionamento e produção de conteúdo. Por isso, a maioria das organizações busca por agências de comunicação, primeiramente, para a realização de trabalhos de assessoria de imprensa. Depois, acaba-se compreendendo melhor a utilidade da comunicação como instrumento estratégico e corporativo, e ampliando a contratação de serviços.

Sobre o perfil do profissional, o levantamento alerta deficiência nas duas áreas de estudo (RP e Jornalismo), pois enquanto o relações-públicas apresenta dificuldades em construir textos e “leads” mais elaborados, o jornalista perde nas habilidades de planejar e desenvolver processos. Por base, aprender a trabalhar com uma visão macro da comunicação é uma necessidade a ser melhorada por ambos. Ou seja, não existe um perfil pronto e 100% preparado para atuar com comunicação corporativa.

Desafios e oportunidades


Aparentemente, o maior desafio do mercado está em educar o cliente no uso das novas tecnologias a favor do seu negócio e, gradualmente, fazê-lo perder o medo de se expor.

Um fator interessante a se considerar é a pressão que a sociedade tem feito em relação às questões de sustentabilidade, principalmente ligadas ao meio ambiente. Isso tem preocupado as organizações e aumentado a demanda por serviços de comunicação com esse foco.

Também é relevante comentar a mudança percebida na relação entre veículos e agências de comunicação, pois os próprios veículos agora buscam pautas de seu interesse junto às agências. Segundo um dos entrevistados: “Antes, nós eramos os proativos neste processo. Partia da agência pautar os veículos. Nós que tínhamos que mandar 'release', fazer o 'follow', mandar 'press kit', construir a pauta. Hoje isso cresceu e os próprios veículos já nos buscam. Tornou-se um caminho de duas vias”.

A concorrência entre agências digitais e assessorias de comunicação tradicionais também é uma questão a ser estudada. Pois comumente, as agências digitais nascem com atividades específicas desse meio e não estariam preparadas para uma gestão de crise real, entre outros trabalhos vivenciados, de fato, pelas agências tradicionais. E nesse caso, vale incentivar o intercâmbio e a complementação de serviços entre os dois modelos de atividade.

Outra tendência que vem aumentando é das agências partirem para mercados de nicho, apostando em conhecimentos mais específicos. Por exemplo: agências de comunicação especializadas em esportes; agências de comunicação com atuação específica no mercado literário; e assim por diante.

Conclusões preliminares


Mercado multifacetado.

Necessidade de profissional híbrido para atuar nesse mercado.

Oportunidade para as RRPP qualificarem a formação na área de notícias (jornalismo ao nível da fonte).

Oportunidade para o Jornalismo qualificar a formação na área de planejamento.

Necessidade de diálogo e convivência pacífica entre jornalistas e relações-públicas.


O que o mercado procura


Rafael Guerra abriu a sua apresentação sugerindo algumas reflexões para a plateia: “Afinal, o que nós queremos enquanto relações-públicas? O faz um RP? De que forma explicamos isso aos nossos amigos e familiares?”. Logo em seguida, falou um pouco sobre o cenário atual, relacionando fatores como o impacto das novas tecnologias no cotidiano profissional, a urgência por resultados em curto prazo por parte das organizações e a crise econômica enfrentada pelo país.

“O mundo mudou. As referências são outras. Precisamos demonstrar nossa relevância para o mercado. Fazer diferente. Não podemos fazer só aquilo que aprendemos. Temos que descobrir novos mercados onde RPs ainda não atuam. O mercado está carente por profissionais que tragam inovação”. 

Rafael Guerra, gerente de eventos do Grupo RBS
Rafael Guerra. Foto: Divulgação ABRP RS/SC.

Segundo Rafael, o modelo de agência de publicidade tradicional está com os dias contados. Por isso, muitas dessas agências estão se transformando em agências de conteúdo e “PR” (Public Relations). Daí, o alerta do palestrante: “Precisamos nos apropriar mais do mercado”, e para tanto, destaca as características que o novo modelo de profissional de relações públicas precisa desenvolver:

Ser prático e objetivo.

Fazer diferente. Não só o tradicional.

Mergulhar no digital e em novos propósitos.

Abraçar a Publicidade e o Jornalismo.

Explorar mais a capacidade de “networking”.

Encontrar maneiras de tangilibilizar o seu trabalho.

Aprender a trabalhar com métricas.

Utilizar a mensuração de resultados em tudo que faz.

Ser referência para o cliente.

Para fechar a apresentação, Rafael pronunciou uma frase simples, mas que resume toda a aprendizagem e direcionamentos apontados durante o Congresso: “Vamos criar ‘cases’!”. E assim, arrancou aplausos da plateia e de demais colegas presentes.


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*O Congresso ABRP RS/SC também foi marcado pela realização de oficinas como: Gestão de Eventos, com a Profª. Marcia Pimentel Rech, da Faculdade Estácio RS; Produção Cultural, com RP Náthaly Weber, da Saia Rodada Comunicação e Produção Cultural; Sustentabilidade Corporativa, com a RP, Jornalista e Especialista em Marketing, Maria Inês Mollmann; Memória Empresarial e Relações Públicas, com o Historiador e Especialista em História Contemporânea, Christian Ordoque; Comunicação Empresarial e Liderança, com a Profª. Ms. Analu Schmitz Horlle, da UNISC; e “Stakeholders”: Discurso e Poder, com a Profª. Drª. Ana Roig, da PUCRS.

Apresentação de slides








Carlos Alberto Müller
Idealizador do projeto MAZÁAA!
Estudante de Comunicação Social – Relações Públicas – na UCS. Analista de Marketing na empresa NTC Moldes e Plásticos. Natural de Caxias do Sul.