Os três pilares básicos para se fazer uma boa comunicação

Processo de comunicação eficiente


Resumir o processo complexo de comunicar alguma coisa com eficácia pode parecer um tanto presunçoso, pois aqueles que trabalham nas áreas de comunicação e marketing conhecem bem os diferentes tipos de desafios que enfrentamos para levar uma determinada mensagem ao nosso público, com todas as variáveis possíveis de se imaginar. Variáveis essas que vão desde a técnica utilizada, o momento no espaço/tempo em que a mensagem foi difundida e as próprias singularidades de cada indivíduo envolvido.

Ainda assim, fazer uma boa comunicação possui três pilares básicos que vão solidificar todo o processo e tornar as variáveis, de certa forma, mais controláveis. Esse é um processo que não segue religiosamente uma ordem, mas vamos trabalhar aqui o raciocínio de definir e entender o público-alvo, escolher o conteúdo e adaptar a linguagem.

Público-alvo


Os grandes veículos de massa, na sua maioria, precisam ou devem utilizar uma fórmula simples e didática de passar determinada informação, que seja familiar para qualquer pessoa, de culturas muito distintas entre si. Isso se deve ao fato de o público-alvo ser extremamente amplo e plural. Mas esse movimento está mudando pouco a pouco, e essa é uma realidade que não reflete as necessidades das organizações, as quais, normalmente, possuem uma segmentação de público, seja ele consumidor, parceiro ou apenas alguém que se relacione institucionalmente.

Em qualquer caso, se você busca estabelecer uma comunicação de qualidade, entender as características dos seus “stakeholders” é requisito básico. Então, o processo todo pode estar na dependência de se fazer pesquisas, qualitativas e quantitativas, inicialmente para identificar quem possui interesse na marca ou produto (caso ainda não saiba) e depois para observar suas singularidades.

As possibilidades são infinitas de segmentação, por isso, caso não tenha como fragmentar sua comunicação, foque seus esforços para ter ao menos uma persona que caracterize o seu público. Para personificar isso, comece por dados básicos como classe social, faixa etária, sexo, interesses, onde essas pessoas estão buscando informações (mídias tradicionais, sites, plataformas sociais etc.). Depois, de acordo com as características e objetivos do negócio, as pesquisas podem ser utilizadas para recolher dados específicos, sempre com foco em definir e entender seu público-alvo.

Conteúdo


Aqui, partimos do pressuposto que você já sabe quem são seus “stakeholders”. Vencida essa etapa, temos em mãos as informações básicas sobre o que eles querem (tipo de conteúdo), como eles querem (texto, imagem, som, vídeo, infográfico etc.) e onde eles querem receber e interagir (plataformas). Mas mesmo com tudo isso perfeitamente mapeado, sua estratégia apenas estará completa e terá chances reais de sucesso se aquilo que você produz tiver relevância.

O seu conteúdo, essencialmente, precisa ser relevante. Não importa se é uma mensagem publicitária ou um editorial, se é uma ação nas redes sociais ou uma ativação física, o conteúdo por trás disso tem que entregar valor. Hoje, qualquer pessoa é uma produtora de conteúdo, qualquer um tem acesso a diferentes fontes, e isso reforça a necessidade de buscar ser relevante, de ser autoridade naquele conteúdo. Caso contrário, você ou sua organização serão apenas mais um falando, mesmo que estejam com a mensagem certa no lugar certo.

Linguagem


De nada adianta ter um conteúdo sem que as pessoas entendam a mensagem, sem que haja, de fato, comunicação. O entendimento daquilo que se quer passar está na adequação da linguagem. Na academia, tratamos disso estudando a semiótica, os signos, os símbolos, o significado, o significante etc. Esses conceitos servem para estarmos cientes da importância de se utilizar uma linguagem condizente com a realidade dos nossos “stakeholders”.

Fazendo analogias básicas, podemos dizer que um sinal de fumaça no horizonte pode ser “apenas fumaça” para um cidadão qualquer (um símbolo). Já para um bombeiro, a fumaça pode automaticamente significar “fogo”, “perigo”, “trabalho” etc (um signo). Um programador de TI consegue enxergar toda a estrutura de um site, por exemplo, apenas observando uma série de códigos, que não significam absolutamente nada para quem desconhece essa linguagem.

Palavras, imagens, sons e qualquer outro tipo de elemento utilizado para transmitir uma mensagem têm o poder de assumir diferentes significados, e nós, profissionais de comunicação e marketing, precisamos lembrar disso ao realizarmos o nosso trabalho. Somos “fabricantes” e ao mesmo tempo “tradutores” da mensagem.


Mazáaa! comunicação na prática

Tiago Vasques
Colunista do Mazáaa!
Jornalista formado pela PUCRS e Especialista em Planejamento em Comunicação e em Gestão de Crise de Imagem pela mesma instituição.