[Filme] O Abutre – uma crítica ao telejornalismo



Olá pessoal! Hoje vamos pular direto para o mundo do cinema, mas sem fugir do nosso tema central, que sempre será a Comunicação. No caso do longa em questão, intitulado “O Abutre” (e logo vocês entenderão o porquê), a história percorre os bastidores do telejornalismo americano, porém, de uma forma que nos faz refletir a respeito do nosso próprio modelo de jornalismo, aqui no Brasil.

No filme, o jovem e ambicioso Lou Bloom, interpretado por Jake Gyllenhaal (de O Segredo de Brokeback Mountain), enfrentando dificuldades financeiras e até mesmo para conseguir um emprego formal, segue a vida praticando pequenos furtos para sobreviver e pagar suas contas. Até que em uma noite, a caminho de casa, Lou passa de carro por uma rodovia onde ocorre um acidente de trânsito. Curioso com o fato, ele resolve parar, sair do veículo e se aproximar do local a pé, quando encontra uma equipe de filmagem que registra a cena enquanto o pessoal do socorro médico realiza os procedimentos de padrão com as vítimas. O jovem observa atentamente a ação do “cameraman” e descobre que as imagens serão vendidas para uma emissora de TV local. Sem entender muito bem o funcionamento da coisa, Lou volta para casa com um objetivo em mente: aprofundar o seu conhecimento sobre aquele formato de trabalho. 

Não demora muito para Lou descobrir que aquele nicho de mercado pode realmente dar certo e resolver se atirar como “freelancer”.



Autodidata e íntimo da tecnologia, o jovem percorre as ruas de Los Angeles para observar de perto outros profissionais em ação e aprender com eles, além é claro de utilizar a internet para complementar sua pesquisa de campo.

Com uma câmera simples na mão, um rádio na frequência da polícia e um carro não tão veloz, Lou embarca no ramo do jornalismo criminal independente, correndo atrás de cenas fortes e chocantes sem nenhum tipo de escrúpulo, o que o leva a manipular cenários em busca do melhor ângulo de filmagem. Rapidamente ele aprimora suas técnicas de atuação e negociação com a indústria de mídia, e aprende como todo esse jogo funciona.



Conforme a evolução do seu trabalho, o rapaz contrata um assistente mesmo sem muita garantia de salário fixo, utilizando apenas sua perspicácia e artimanhas de persuasão.  Acaba obtendo ainda recursos suficientes para renovar os seus equipamentos técnicos, e também o seu veículo particular (e de trabalho) para um modelo mais moderno e veloz.

No entanto, a sua ambição acaba sempre se sobressaindo ao lado ético do trabalho, levando-o a cometer crimes e à necessidade de manipular as pessoas ao seu redor para alcançar os seus objetivos. Com a experiência adquirida no meio somada à sua capacidade analítica de cenários, ele aprende diretinho as regras do jogo e se torna um profissional frio e calculista. Ou seja, ninguém consegue parar o cara. Nem mesmo Nina Romina (Rene Russo), diretora de notícias de um telejornal sensacionalista com quem Lou aprende vários macetes, sendo que a própria Nina acaba desarmada em meio das articulações do próprio aprendiz.



Um filme imperdível, do qual se pode extrair diversos contextos sobre empreendedorismo, negociação, inteligência emocional, motivação e processo ideológico do jornalismo contemporâneo. Mas por favor, é preciso filtrar muito bem a crítica do filme para não se desmotivar com a profissão (fica a dica).



“O Abutre” foi lançado no Brasil em 2014, e o seu título original é “Nightcrawler”. O drama foi produzido nos Estados Unidos e dirigido por Dan Gilroy (o mesmo diretor de O Legado Bourne e Gigantes de Aço). Infelizmente, o filme não foi indicado ao Oscar, fato bastante criticado entre os especialistas em cinema na época.

Autor: Carlos Alberto Müller